blog sobre micologia médica

Patologia Clínica CHUC Coimbra Portugal

Fusarium dimerum keratitis

Artigo publicado: Fusarium dimerum - um caso de queratite.
Artigo publicado: Rinosinusite induzida por Schizophyllum radiatum

Artigo publicado: Chronic invasive rhinosinusitis by Conidiobolus coronatus, an emerging microorganism

Artigo publicado: Antifungals: From Pharmacokinetics to Clinical Practice

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

TRICHOPHYTON TERRESTRE

O T. terrestre é um fungo filamentoso incluído no grupo dos dermatófitos.É um fungo geofílico.
As colónias são de crescimento lento brancas ede textura algodonosa. À microscopia apresenta hifas hialinas ramificadas em ângulo recto
É um fungo não patogénico mas que pode aparecer como contaminante quando a amostra esteve em contacto estreito com o solo (pé e unhas do pé)

Colónias com 10 dias de incubação.


Reverso da colónia

SAROCLADIUM SP (Acremonium sp)

Algumas espécies de Acremonium foram reclassificadas e pertencem agora ao novo género Sarocladium, outras espécies continuam incluídas no género Acremonium.

Os fungos do género Sarocladium, sendo raramente isolados em patologia humana, provocam sobretudo onicomicoses e, particularmente em imunodeprimidos, podem provocar infecções sistémicas.

Partilham com alguns fungos do género Fusarium a particularidade de poderem ser isolados nos meios habituais de hemocultura - as hemoculturas comuns são praticamente ineficazes no isolamento e identificação de fungos filamentosos ao contrário do que ocorre para os fungos leveduriformes.

As fiálides são hialinas, eretas e dão origem no seu topo a um grupo de conídios fazendo lembrar a cabeça de um alfinete. A agegação de várias hifas dão origem a estruturas que lembram cordas.

Os isolados de Fusarium podem ser confundidos com Acremonium, mas geralmente crescem mais rapidamente e apresentam colónias com uma aparência fofa característica.

Relevância em Patologia Humana dos fungos do género Acremonium/Sarocladium

  1. Infecções Oportunistas:
    • Pacientes imunocomprometidosAcremonium pode causar infecções graves em indivíduos com sistemas imunológicos comprometidos (ex.: transplantados, HIV/AIDS, quimioterapia). As infecções podem ser locais ou sistémicas.
    • Manifestações clínicas:
      • Infecções cutâneas e subcutâneas: Úlceras, nódulos ou celulite, muitas vezes associados a trauma cutâneo (ex.: ferimentos com materiais contaminados).
      • Pneumonia e doença pulmonar: Por inalação de conídios.
      • Endocardite fúngica: Em válvulas cardíacas, especialmente em utilizadores de drogas intravenosas.
      • Meningite: Rara, mas relatada em casos de disseminação hematogénica.
      • Queratite: Associada ao uso de lentes de contato contaminadas.
  2. Micoses Crónicas:
    • Algumas espécies de Acremonium estão ligadas a doenças como micoses escleróticas ou micetomas (infecções subagudas ou crónicas de tecidos profundos), embora isso seja incomum.
  3. Produção de Toxinas:
    • Alguns isolados podem produzir mico toxinas (ex.: aflatoxinas) que, embora mais associadas a contaminação de alimentos, podem ter impacto indireto na saúde humana.

Transmissão

  • Via de entrada:
    • Inalação de conídios (ar).
    • Trauma cutâneo (ex.: espinhos, objetos contaminados).
    • Contaminação de dispositivos médicos (ex.: cateteres, lentes de contato).
    • Transmissão iatrogénica em ambientes hospitalares.

Diagnóstico

  • Exame micológico:
    • Cultura em meio Sabouraud com cloranfenicol (crescimento em 3–5 dias).
    • Macroscopia: colónia branca que com a idade pode tornar-se cinzenta, rosa, rosa ou laranja
    • Microscopia: hifas septadas, hialinas, com conídios mono ou bicelulares (característica do género).

Tratamento

  • Antifúngicos:
    • Amfotericina B (opção para infecções graves).
    • Azois (ex.: voriconazol, posaconazol) – mais eficazes in vitro.
  • Cirurgia: Para infecções locais avançadas ou abscessos.
  • Desafios: Muitas espécies mostram resistência a antifúngicos comuns, e a resposta ao tratamento pode ser lenta.

 Considerações Finais

  • Acremonium é um agente patogénico emergente, especialmente em centros hospitalares, devido à sua ubiquidade e resistência a desinfetantes.
  • O diagnóstico precoce é crítico, pois as infecções podem ser agressivas em pacientes vulneráveis.

Cultura com 10 dias de incubação.




Reverso da colónia


Fiálide.




Aglomerações de hifas lembrando cordas, aspecto que distingue estes fungos dos Fusarium onde não ocorrem.

Aglomerações de hifas lembrando corda

domingo, 17 de abril de 2016

TRICHOPHYTON SOUDANENSE (II)

Uma análise feita no início do século XXI, no Senegal, evidenciou que o T. soudanense é o dermatófito mais prevalente na tinea capitis.

Colónia com 7 dias de incubação.


Reverso da colónia.
Colónias com 18 dias de incubação



Reverso da colónia.
Hifas "reflexivas".



Em colónias velhas podem desenvolver-se clamidósporos.

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Outra estirpe (de coleção)


Colónia com 14 dias de incubação.

Colónia com 14 dias de incubação.

Colónia com 14 dias de incubação.

Reverso de colónia com 14 dias de incubação.

Colónia com 26 dias de incubação.

Colónia com 36 dias de incubação.

Reverso de colónia com 36 dias de incubação.

Clamidosporo.

Clamidosporo.

Clamidosporo.

Clamidosporo.

Microconideos.

FUSARIUM SOLANI (outra estirpe)



Uma característica importante deste fungo, e de todos os Fusarium de um modo geral, é a sua resistência à grande maioria dos anti-fungicos (anfotericina incluida). O Voriconazol e o Posaconazol poderão ser os fármacos recomendados.


Colónias com 5 dias de incubação em meio de Sabouraud com cloranfenicol e gentamicina



Reverso da colónia

Microconidios curvos uni e bi-celulares.

Fiálides e microconidios.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

CHAETOMIUM SP

O Chaetomium é um fungo filamentoso incorporado no grupo dos ascomicete caracterizado pela presença de ascoscarps (ou ascoma ou perithecia) esféricos ou piriformes cobertos por "pelos" ou setae.
As inúmeras espécies deste género são saprófitas do solo, são raros os casos reportados em patologia humana: onicomicoses, lesões cutâneas, pneumonia em imunodeprimido e peritonite


Estirpe gentilmente cedida pela Dr.ª Cristina Toscano do Serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental

Colónias com 3 dias de incubação.



Reverso da colónia.

Colónias com 5 dias de incubação.


Reverso da colónia.



Observação da colónia à transparência.

Amplição 100x

Ascoma - ampliação 1000x





Cultura com 4 meses de incubação à temperatura ambiente 


Aspecto microscópico da cultura com 4 meses.

Ascosporos pigmentados com poro  germinal.

Ascosporos pigmentados com poro  germinal