blog sobre micologia médica

Patologia Clínica CHUC Coimbra Portugal

Fusarium dimerum keratitis

Artigo publicado: Fusarium dimerum - um caso de queratite.
Artigo publicado: Rinosinusite induzida por Schizophyllum radiatum

Artigo publicado: Chronic invasive rhinosinusitis by Conidiobolus coronatus, an emerging microorganism

Artigo publicado: Antifungals: From Pharmacokinetics to Clinical Practice

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

HISTOPLASMA CAPSULATUM

O Histoplasma capsulatum é um fungo dimórfico. Apresenta-se como um fungo ubiquitário, contudo existem áreas geográficas onde se constitui como um problema infeccioso endémico - a principal região é ao longo do vale dos rios Mississipi e Ohio. Na natureza encontra-se frequentemente associado a excrementos de pássaros e morcegos.
O H. capsulatum provoca uma infecção intracelular das células do sistema reticulo-endotelial com origem na inalação de esporos. É possível observar células leveduriformes gemuladas no interior destas células que durante a infecção se multiplicam em grande número podendo substituir o tecido normal. A maioria das infecções são assintomáticas e benignas, cerca de 5% podem transformar-se em infecções crónicas progressivas, pulmonares, cutâneas ou sistémicas. Frequentemente mimetizam a infecção por Mycobacterium tuberculosis. Crianças e imunodeprimidos apresentam um risco aumentado de infecção.
Reactivação com origem endógena pode ocorrer 2 a 3 décadas após a infecção primária

Esta estirpe foi isolada em secreções da árvore respiratória de um doente HIV residente em Lisboa mas com um passado recente de residência no Brasil.

A análise macroscópica revela uma colónia com textura granular ligeiramente algodonosa, inicialmente é branca mas com o tempo vai adquirindo um tom acastanhado sendo o reverso creme.
A análise microscópica do micélio revela a presença de macroconideos e microconideos. Os microconideos são sésseis ou com origem num pequeno pedunculo. Os macroconideos apresentam uma forma semelhante aos clamidosporos e tem origem em curtos conidióforos, possuem apenas uma célula com parede dupla da qual saiem, passados alguns dias de incubação (a maturação total é lenta podendo ser necessário esperar 4 a 8 semanas), projecções cilindricas em toda a circunferência.

Estirpe gentilmente cedida pela Drª Dinah Corte Real, do Serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar Lisboa Norte. A estirpe foi isolada numa amostra biológica de um doente e examinada no laboratório de microbiologia do referido Serviço.

Colónia com 18 dias de incubação.

Colónia com 18 dias de incubação.

Colónia com 18 dias de incubação.

Colónia com 18 dias de incubação.

Reverso de colónia com 18 dias de incubação.

Colónia com 30 dias de incubação.

Colónia com 30 dias de incubação.

Colónia com 30 dias de incubação.

Ampliação 1000x . Macroconidios - (origem em colónia <30 dias de incubação) 

Ampliação 1000x . Macroconidios - (origem em colónia <30 dias de incubação) 

Ampliação 1000x . Macroconidios - (origem em colónia <30 dias de incubação) 

Ampliação 1000x . Macroconidios - (origem em colónia <30 dias de incubação) 

Ampliação 1000x . Macroconidios - (origem em colónia <30 dias de incubação) 

Ampliação 1000x . Macroconidios - (origem em colónia <30 dias de incubação) 

Ampliação 1000x . Macroconidios - (origem em colónia <30 dias de incubação) 

Ampliação 1000x . Macroconidios - (origem em colónia <30 dias de incubação) 

Ampliação 1000x . Macroconidios - (origem em colónia <30 dias de incubação) 

A mesma macroconidea  fotografada em 3 planos sucessivos - (origem em colónia >30 dias de incubação) .

Ampliação 1000x . Macroconidios - (origem em colónia >30 dias de incubação) 

Ampliação 1000x . Macroconidios - (origem em colónia >30 dias de incubação) 

Ampliação 1000x . Macroconidios - (origem em colónia >30 dias de incubação) 

Ampliação 1000x . Macroconidios - (origem em colónia >30 dias de incubação) 

Imagens da da fase leveduriforme. A colónia está semeada em gelose sangue e foi incubada a 37 graus Celsius.

Gelose de sangue - fase leveduriforme.

Gelose de sangue - fase leveduriforme.

Microscopia de colónia da fase leveduriforme.

Microscopia de colónia da fase leveduriforme.

Microscopia de colónia da fase leveduriforme.

Microscopia de colónia da fase leveduriforme.

Microscopia de colónia da fase leveduriforme.

Microscopia de colónia da fase leveduriforme.

Microscopia de colónia da fase leveduriforme.

Microscopia de colónia da fase leveduriforme.

Microscopia de colónia da fase leveduriforme.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

PAECILOMYCES LILACINUS / PURPUREOCILLIUM LILACINUM

Paecilomyces lilacinus ou Purpureocillium lilacinum.

Este fungo foi renomeado para Purpureocillium lilacinum após caracterização definitiva por biologia molecular.

Esta estirpe foi isolada no exsudado ocular de uma doente com suspeita de queratite infecciosa.

Este organismo é um fungo filamentoso hialino de distribuição universal frequentemente isolado como saprófita ou contaminante.
O P. lilacinum está descrito como responsável de queratites, endocardites, peritonites, celulites e pneumonias sobretudo, nestas últimas patologias, em doentes imunocomprometidos.

Macroscopia da colónia: a colónia é de crescimento rápido, até 5 a 6 cm de diâmetro, a textura é lanosa a pulverulenta, a cor é inicialmente branca e posteriormente adquire um tom lilás.   

Microscopia: hifas septadas hialinas, conidióforas ramificados, as fiálides são finas e alongadas na extremidade estando dispostas em aglomeradas fazendo lembrar um pincel.



Colónia com 6 dias de incubação.

Reverso da colónia.

Colónia com 8 dias de incubação.

Reverso da colónia.

Colónia com 11 dias de incubação.

Colónia com 14 dias de incubação.

Sementeira original, à cabeceira do doente, em gelose chocolate. 3 dias de incubação. Notar que as colónias acompanham a ranhura do inóculo
Sementeira original, à cabeceira do doente, em gelose chocolate. 13 dias de incubação.

Sementeira original, à cabeceira do doente, em gelose sangue. 13 dias de incubação.







quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

AUREOBASIDIUM PULLULANS

O Aureobasidium pullulans é um fungo filamentoso dematiáceo. É um fungo saprófita com distribuição universal. No corpo humano pode ser isolado na pele e em unhas, está descrito como responsável de phaehifomicoses (infecções fungicas causadas por fungos dematiáceos) da pele e pulmão; queratites; e, peritonites. Eventualmente poderá ocorrer sepsis e infecção generalizada.

O A. pullulans poderá ser, também, isolado como contaminante da amostra.

Esta estirpe foi isolada nas secreções da árvore respiratória de um paciente, a informação clínica fornecida ao laboratório era "micronodulação pulmonar"

As colónias são lisas, pastosas, de cor clara (branca-rosada) e coincidindo com a formação de artroconídios aparecem áreas escuras/pretas. O crescimento é rápido.
Na fase inicial pode ser confundida com colónias de fungos leveduriformes.

A observação microscópica revela a presença de hifas septadas hialinas e conídios, também hialinos, de forma e dimensão variáveis. Com o tempo vão aparecendo algumas hifas escuras constituídas por artroconídios. Os conidídios aparecem de modo síncrono (vários ao mesmo tempo) de um ponto comum na hifa (sobretudo, mas não em exclusivo, das hifas hialinas). Os conídios podem continuar a multiplicar-se por gemulação.


Colónia com 7 dias de incubação

Colónia com 7 dias de incubação

Colónia com 7 dias de incubação

Colónia com 10 dias de incubação. A colónia adquire zonas escuras devido à produção de artroconideos.

Colónia com 10 dias de incubação

Colónia com 10 dias de incubação

Colónia com 10 dias de incubação

Colónia com 10 dias de incubação

Reverso da colónia.

Colónia com 12 dias de incubação

Colónia com 12 dias de incubação

Colónia com 12 dias de incubação

Colónia com 12 dias de incubação

Colónia com 12 dias de incubação

Pormenor de uma placa com várias colónias com 12 dias de incubação evidenciando a textura variada que a colónia pode adquirir

Pormenor de uma placa com várias colónias com 12 dias de incubação evidenciando a textura variada que a colónia pode adquirir

Pormenor de uma placa com várias colónias com 12 dias de incubação evidenciando a textura variada que a colónia pode adquirir

Pormenor de uma placa com várias colónias com 12 dias de incubação evidenciando a textura variada que a colónia pode adquirir
Zona com predomínio de hifas septadas hialinas.

Zona com predomínio de hifas septadas escuras  (artroconídios)





Blastoconideos hialinos de forma a e tamanho variável.


Hifas hialinas com produção síncrona de conídios.