blog sobre micologia médica

Patologia Clínica CHUC Coimbra Portugal

Fusarium dimerum keratitis

Artigo publicado: Fusarium dimerum - um caso de queratite.
Artigo publicado: Rinosinusite induzida por Schizophyllum radiatum

Artigo publicado: Chronic invasive rhinosinusitis by Conidiobolus coronatus, an emerging microorganism

Artigo publicado: Antifungals: From Pharmacokinetics to Clinical Practice

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

ALTERNARIA - INFEÇÃO GLOBO OCULAR

 

Esta estirpe foi isolada no globo ocular de um paciente, a sementeira em sabouraud foi feita  de imediato no local do exame clínico.

A identificação das estirpes de Alternaria representa um grande desafio, a identificação do género sendo aparentemente fácil pelas caraterísticas macro e microscópicas torna-se muito mais complicada se se respeitar as característica de genotipagem, a identificação da espécie sempre foi do domínio molecular (sequenciação).

Atualmente, há quem denomine recorrendo à genotipagem:  "complexo Alternaria" com nove géneros e oito secções. 

A identificação por sequenciação deve ser feita cautelosamente já que as bases de dados apresentam muitas estirpes com erros de identificação.

Em cultura, estes fungos apresentam uma velocidade de crescimento muito díspar entre as várias espécies bem como a capacidade  e a velocidade de produzir conideos é muito variável podendo a estirpe perder a capacidade de formar conideos.

São considerados fungos dematiaceos.

A apresentação macroscópica da colónia é muito variável em cor e tamanho.

Queratites e phaeohiphomicoses bem como onicomicoses são as manifestações clínicas mais frequentes.

Colónia com 5 dias de incubação.







sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

SAROCLADIUM STRITUM

Recentes estudos de biologia molecular permitiram alterações taxonómicas entre as espécies de fungos do género Acremonium e algumas passaram a pertencer ao género Sarocladium. Por outras palavras embora sejam morfologicamente similares a sua filogenia é bem distinta e poderá justificar qualquer diferença quer perante os antifúngicos quer perante algumas reações bioquímicas.

Há relatos clínicos de infeções sistémicas ou casos de peritonites em imunocomprometidos

As colónias têm um crescimento rápido e apresentam uma textura húmida e viscosa. São, inicialmente brancas mas rapidamente adquirem uma tonalidade rosada, o reverso mantem-se sem cor.

Os conideos alongados são produzidos em adelofiálides (fiálides que se desenvolvem diretamente da hifa vegetativa sem qualquer septo basal a marcar a separação)




Colónia com 7 dias de incubação.

Colónia com 13 dias de incubação.

Colónia com 22 dias de incubação.


Reverso da colónia


Colónia com 26 dias de incubação.













CHRYSOSPORIUM KERATINOPHILUM


A espécie keratinophilum é a espécie mais comum entre as 70 espécies de Chrysosporium. Algumas destas espécies são queratinofílicas pelo que, embora não sendo fungos dermatófitos, podem ser responsabilizadas por algumas infeções superficiais (p.e. onicomicoses)

Produz conídeos do tipo aleuriosporica (esporo assexuado de paredes espessas formado na porção terminal da hifa) com um tamanho muito maior do que os conídeos dos dermatófitos.

É resistente à cicloheximida.

Colónia com 7 dias de incubação.

Colónia com 7 dias de incubação.

Colónia com 7 dias de incubação.

Reverso da colónia

Colónia com 13 dias de incubação.

Colónia com 13 dias de incubação.


Colónia com 39 dias de incubação.

Colónia com 39 dias de incubação.





terça-feira, 19 de dezembro de 2023

NANNIZZIA FULVA

 NANNIZZIA FULVA

Nannizzia fulva é um dermatófito geófilo (origem no solo) pertencente ao género Nannizzia, anteriormente classificado como Trichophyton fulvum. É um agente etiológico raro de micoses humanas, mas relevante em contextos específicos.

Patogenicidade

Infecções Humanas

Tinea corporis (corpo): Lesões anulares com borda elevada e escamas.
Tinea capitis (cabelo): Menos comum, pode causar alopecia cicatricial.
Tinea unguium (unhas): Deformação e espessamento das unhas.

Tanto o N. fulva como o N. gypsea são dermatófitos geófilos que podem ocasionalmente causar infecções, principalmente nas mãos ou membros de indivíduos que têm contacto próximo com o solo. 

Via de transmissão:
Contato direto com solo contaminado ou material infecioso de animais (ex.: roedores, aves).
Lesões pré-existentes: Corte ou abrasão na pele facilita a entrada do fungo.

Ecologia
Habitat Natural
Solo fértil: Prefere solos ricos em matéria orgânica, especialmente com presença de fezes de animais (ex.: morcegos, roedores).
Clima: Regiões tropicais e subtropicais com alta umidade.

Em cultura origina uma colónia plana (2cm ao fim de 7 dias), de cor creme e algodonosa pulverulenta com o passar dos dias; o reverso da colónia é branco ou ligeiramente amarelado mas pode ter pigmento vermelho. Na microscopia observam-se um grande número de macroconídios multisseptados (3 a 6 septos), de paredes rugosas e em forma de barco, e  os microconídios podem ser sésseis ou pedunculados, pelo que esta não é uma característica distintiva particularmente útil, mas são geralmente mais em forma de taco. Os macroconídios da N. fulva são muito semelhantes aos de N. gypsea, mas tendem a ser mais finos, com uma relação comprimento/largura de 4,5:1, em comparação com 3,5:1


Colónia com 8 dias de incubação a 25 C



Reverso da colónia.

colónia com 36 dias de incubação.


Várias colónias com 30 dias de incubação.




Reverso da colónia.



Microconídeos piriformes e macroconídeos elipsoidais


Macroconídeos abundantes


quinta-feira, 23 de novembro de 2023

BEAUVERIA BASSIANA

BEAUVERIA BASSIANA

A Beauveria bassiana é um fungo filamentoso hialino.

Na grande maioria das vezes em que é isolado em amostras de micologia médica é considerado um fungo contaminante. É sobretudo um fungo associado a patologia em muitos insectos.

As colónias são de crescimento lento, no início são brancas e mais tarde adquirem uma leve tonalidade amarela.
A microscopia revela um crescimento simpodial das células conidiogenas.



Colónia com 8 dias de incubação a 25 graus C


Reverso da colónia.

Colónias com 12 dias de incubação a 25 graus C



Crescimento simpodial das células conidiogenas.