Comissão científica

Comissão cientifica: Prof.ª Graciete Freitas; Prof.ª Cidália P. Vaz; Prof.ª Maria M. Lopes; Prof. Acácio Rodrigues; Dr. Rui Tomé; Drª Teresa Ferreira; Drª Virginia Lopes; Drª Isabel Rio Carvalho

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

CLADOPHIALOPHORA BANTIANA

É um fungo filamentoso septado demateaceo. 
Clinicamente, encontra-se associado predominantemente a phaehifomicose cerebral (neurotropismo) e abcessos cerebrais tanto em imunocompetentes como em imunocomprometidos. Também está descrito em lesões sub-cutâneas.

As colónias apresentam um crescimento relativamente rápido, crescem a temperaturas até 42 graus Celsius. A cor da colónia varia de verde-oliva a preto, o reverso é preto.

Os conideos são formados em longas cadeias ramificadas que se originam em conidioforos morfologicamente não diferenciados. Os conideos são elipsoides de paredes lisas. A ausência de um hilo pigmentado no conideo, a ausência de "shield cells" e o facto de crescer a 42 graus faz a distinção para as outras espécies de Cladophialophora.

Estirpe gentilmente cedida pela Drª Dinah Corte Real, do Serviço de Patologia Clínica do Hospital de Santa Maria, Lisboa. A estirpe foi isolada numa amostra biológica de um doente examinada no laboratório de microbiologia.











  

 













sexta-feira, 11 de Julho de 2014

EXSEROHILUM ROSTRATUM

O Exserohilum é um fungo filamentoso septado demateacio. É um fungo saprófita do solo e plantas que prospera em climas quentes e húmidos.

Os fungos do género Exserohilum podem ser responsáveis, muito raramente, por phaeohiphomicosis (phaeo vem do grego e significa escuro): queratites, endocardites, infecções subcutâneas, ostiomielites e sinusites tanto em imunocomprometidos como em imunocompetentes.

Recentemente (2012), nos Estados Unidos, houve um surto de meningites fúngicas causadas pela administração epidural de metilprednisolona contaminada. A produção de um lote de metilprednisolona não evitou a contaminação pelo fungo Exserohilum rostratum. Foi feita uma reavaliação de cerca de 14000 pacientes a quem foi administrado o fármaco (12% por injecção intra-articular) tendo sido diagnosticadas 749 meningites das quais 63 terminaram com a morte do paciente. Antes deste surto tinham sidos descritos apenas 48 casos de infecções pelo Exserohilum, a mortalidade era de 23% e o tratamento preferencial foi amfotericina e cirurgia associados ou isoladamente. Durante o surto tanto o exame directo do LCR como a cultura demonstraram muito baixa sensibilidade.

As colónias são cinzento escuro a preto e apresentam uma textura entre camurça e felpo, o reverso da colónia é preto. Há crescimento até aos 40 graus mas não cresce a 42. O E. rostratum cresce rapidamente (3 dias) contudo serão necessárias 2 a 3 semanas para que a microscopia evidencie todas as características morfológicas.

Ao exame microscópico é possível observar hifas septadas escuras, conidióforos alongados e curvos; os macroconideos apresentam parede espessa e 4 a 12 septos bem como uma banda escura tanto na extremidade distal como na extremidade basal, o hilo é bem visível e truncado. Sucessivas repicagens podem levar à perda da capacidade de desenvolver conideos.








Exame microscópico nas primeiras semanas de cultura: apenas hifas incaracterísticas.



Macroconideos alongados e curvos.










quarta-feira, 18 de Junho de 2014

SAPROCHAETE CAPITATA

Saprochaete capitata é o nome porque é designado o fungo leveduriforme anteriormente conhecido por Geotrichum capitatum ou Trichosporum capitatum ou Blastoschisomyces capitatus.

É uma levedura (fungo unicelular) não-fermentadora e não-capsulada que se encontra como saprófita no solo, madeiras e restos de materiais orgânicos. Faz parte, também, da microbiota normal da pele humana.

A S. capitata é muitas vezes isolada em secreções respiratórias superiores e em material do tracto gastro-intestinal de pessoas saudáveis.

A sua patogenicidade inclui raros casos de fungémia fatal (organismo patogénico emergente) em neutropénicos, sobretudo do Sul da Europa. A taxa de mortalidade é de 57%. É frequente o envolvimento de múltiplos órgãos. É, ainda, associada a endocardite de protese valvular, pneumonia e meningite. Recentemente, foi descrita uma nova espécie , a S. clavata, como responsável de patologia humana.

A maioria das infecções é detectada por hemocultura. Estudos preliminares revelam a possibilidade de provocar a positividade nos testes de pesquisa de galactomannan e beta-glucan.

A S. capitata é intrinsecamente resistente às equinocandinas. É sensível ao itraconazol, ao voriconazol,  ao posaconazol e à flucitosina. É normalmente resistente ao fluconazol e os mic da amfotericina são de 0.5 a 2.0. A remoção precoce dos cateteres é um factor decisivo no sucesso terapêutico.


As colónias são brancas e a microscopia revela artroconideos, blastoconideos, pseudo-hifas.

Gram de secreções respiratórias de um grande queimado.






Primo-cultura em gelose sangue de secreções da árvore respiratória, 72 horas de incubação. Flora típica da oro-faringe com grande nº de colónia de S. capitata (as colónias maiores)
Colónias com 3 dias de incubação em gelose Sabouraud.


Exame microscópico da colónia.