blog sobre micologia médica

Patologia Clínica CHUC Coimbra Portugal

Fusarium dimerum keratitis

Artigo publicado: Fusarium dimerum - um caso de queratite.
Artigo publicado: Rinosinusite induzida por Schizophyllum radiatum

Artigo publicado: Chronic invasive rhinosinusitis by Conidiobolus coronatus, an emerging microorganism

Artigo publicado: Antifungals: From Pharmacokinetics to Clinical Practice

sexta-feira, 25 de maio de 2012

MICROSPORUM AUDOUINII

1. Patogenicidade

M. audouinii é um dermatofito antropofílico que causa tinha do couro cabeludo (tinea capitis). Infecta tecidos com queratina, afetando principalmente o cabelo e a pele. A patogenicidade está associada à produção de enzimas como proteases e lipases, que degradam a queratina do hospedeiro. A infeção pode manifestar-se como lesões escamosas, folículos negros (quando o cabelo quebra na base) ou inflamação folicular (como "kerion"). (ausência de folículos pretos e presença de escamas nos joelhos e cotovelos orienta para psoríase), (lesões papuloescamosas no  couro cabeludo também evocam psoríase)

Éesponsável por infecções não-inflamatórias do couro cabeludo (tinha tonsurante de grande placa) e por lesões efémeras da pele, sobretudo em crianças. É frequente ser responsável por pequenos surtos epidémicos em instituições de acolhimento de crianças. Não ocorrem lesões da barba ou das unhas.

O parasitismo capilar é ectotrix e os cabelos fluorescem após exposição a luz ultravioleta.

Raramente é isolado após a puberdade.

2. Relevância social

A tinha do couro cabeludo (tinea capitis) causada por Microsporum audouinii possui relevância social significativa, especialmente em comunidades vulneráveis.

2.1. Impacto na Saúde Pública

Transmissão comunitária:

Sendo um fungo antropofílico (exclusivamente humano), sua transmissão ocorre facilmente em ambientes coletivos, como escolas, orfanatos e áreas urbanas com alta densidade populacional. Surtos escolares são comuns, especialmente entre crianças em idade pré-escolar e escolar, levando a interrupções de aulas e isolamento temporário.

Carga global:

Embora sua incidência tenha diminuído em países desenvolvidos (devido a melhorias na higiene), persiste em regiões tropicais e subtropicais (ex.: África, Oriente Médio) e comunidades com acesso limitado a recursos sanitários.

2.2. Estigma e Consequências Psicológicas

Alterações estéticas visíveis:

Lesões como alopecia (perda de cabelo), escamas, crostas ou inflamação (kerion) podem levar à exclusão social ou bullying, especialmente em crianças.

Impacto emocional:

A perda temporária de cabelo e a visibilidade das lesões podem afetar a autoestima e causar ansiedade ou vergonha, mesmo após a cura.

2.3. Sobrecarga Econômica

Custos de tratamento:

O tratamento requer medicamentos sistêmicos (ex.: griseofulvina, terbinafina) e acompanhamento médico, o que pode ser um fardo financeiro para famílias de baixa renda.

Perda de produtividade:

Pais/guardiães podem precisar de licenças para acompanhar o tratamento ou cuidar de crianças em isolamento, afetando a economia familiar.

2.4. Desafios na Diagnóstico e Tratamento

4.1. Subnotificação:

Em áreas com recursos limitados, a falta de diagnóstico precoce perpetua a transmissão silenciosa, especialmente em casos paucissintomáticos.

4.2 Resistência e complicações:

Casos não tratados podem evoluir para infeções secundárias bacterianas ou complicações inflamatórias (ex.: kerion), exigindo intervenções mais complexas.

2.5. Prevenção e Educação em Saúde

5.1. Papel da educação pública:

Campanhas de conscientização sobre higiene pessoal (ex.: evitar compartilhar pentes, chapéus) e deteção precoce são essenciais para reduzir a transmissão.

5.2. Controle em escolas:

Programas de triagem escolar em regiões de risco podem identificar casos cedo, quebrando a cadeia de transmissão.

2.6. Contexto Histórico

Redução graças à higiene:

No século XX, a tinha do couro cabeludo era uma epidemia global, mas melhorias na saúde pública (ex.: acesso a água, produtos antifúngicos) reduziram sua incidência em países desenvolvidos. Isso destaca a eficácia de intervenções sociais no controle de doenças infeciosas.

3. Ecologia

Habitat: Adaptado ao ambiente humano, especialmente ao couro cabeludo e folículos pilosos.

Transmissão: Exclusivamente antropofílica (transmissão de humano para humano), via contato direto ou indireto (objeto contaminado, como pentes ou toupeiras).

4. Aspecto Macroscópico da Colônia

Crescimento: Lento (7–14 dias atinge 3 cm em meio de cultura, como Sabouraud).

Superfície: Colônias geralmente brancas a cremosas, com textura lanosa (felpuda) e bordas irregulares.

As colónias são planas e muito pouco espessas, a observação lateral da placa de petri revelando colónia muito fina é sugestiva.

Face reversa: Pode desenvolver coloração amarelo-palha.

 

5. Aspecto Microscópico do Micélio

5.1. Hifas: Septadas, podem observar-se hifas pectinadas e hifas em raquete. Podem ocorrer estirpes "estéreis" sem qualquer célula reprodutora.

 

5.2. Conídios:

5.2.1.  Microconídios: são raros, formados lateralmente ou terminalmente nas hifas.

5.2.2. Macroconídios: Raros ou ausentes.

5.2.3. Clamidosporos: terminais (mamilonados no seu apex) e intercalares são muito frequentes.

 

6. Epidemiologia

Regiões afetadas: Historicamente comum na Europa e América do Norte, mas hoje mais frequente em regiões tropicais e subtropicais (ex.: África,Médio Oriente).

Grupos de risco: Crianças em idade escolar (maior exposição em ambientes coletivos) e comunidades com baixo acesso a higiene.

Reservatório: Humanos; não há transmissão zoonótica.

7. Características para Diferenciação de Outros Dermatofitos

M. audouinii vs. Trichophyton spp.:

Ausência de macroconídios (comuns em Trichophyton).

Reação positiva à urease (produz urease, enquanto muitos Trichophyton são negativos).

M. audouinii vs. M. canis:

M. canis é zoonótico (transmitido por animais), cresce mais rapidamente e produz macroconídios abundantes.




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outra estirpe 

Colónia com 11 dias de incubação


Reverso da colónia com 11 dias de incubação.


Colónia com 30 dias de incubação

Aspeto muito típico e diferenciador.
Colónia apresentando o mínimo de espessura, praticamente rasando o meio de cultura. 


Colónia com 30 dias de incubação



Clamidosporo.

Clamidosporos.
Clamidosporos.

Clamidosporos.

Clamidosporo terminal mamilonado.
Clamidosporo terminal.

Clamidosporo terminal.

Clamidosporo intercalar.

Hifas em raquete.

Hifas em raquete e clamidosporos.

Hifas em raquete.

Hifas em raquete e clamidosporos.
Hifa pectinada.

Hifa pectinada.

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Hifa pectinada.



Hifas em raquete.

Hifas em raquete.

Hifas em raquete.

Hifas em raquete.


Hifas em raquete.




terça-feira, 1 de maio de 2012

PAECILOMYCES LILACINUS

O Paecilomyces lilacinus, agora também designado por Purpurocillium lilacinus, é um fungo filamentoso hialino. É responsável por sinusites, queratites, bursites, micoses cutâneas e infecções pulmonares sobretudo em doentes imunocomprometidos. 
O P. lilacinus é quase sempre resistente à anfotericina B.

As colónias são de crescimento rápido, inicialmente brancas mais tarde adquirem uma leve tonalidade lilás. Não cresce ou tem um crescimento insipiente a 37 graus.

A textura da colónia é inicialmente aveludada tornando-se com o tempo ligeiramente granular.
Ao exame microscópico revelam um conidióforo com fiálides de base larga e pescoço alongado e uma esporolação do tipo penicilinado.
É possível o isolamento do fungo em hemoculturas.



Paecilomyces lilacinus isolado num de abcesso da córnea.

3º dia de incubação em gelose de chocolate.



7º dia de incubação em gelose sangue.













TRICHOPHYTON MENTAGROPHYTES


Dois isolados de Trichophyton mentagrophytes.

Colónias com 22 dias de incubação em gelose Sabouraud.





Reverso da colónia.




Reverso da colónia.

Hifa em espiral.

Macroconideo.

Hifa em espiral.

Aspeto microscópico tipico: microconideos abundantes e arredondados dispostos fazendo lembrar cachos de uva.

Hifa e microconideos.


Hifa em espiral.

Hifa em espiral.

Hifa com microconideos agrupados.
Hifas espiraladas (azul lactofenol).

Hifas espiraladas (azul lactofenol).

Hifas espiraladas (azul lactofenol).

Hifas espiraladas (azul lactofenol).

Hifas espiraladas (azul lactofenol).

Hifas espiraladas (azul lactofenol).