Algumas espécies de Acremonium foram reclassificadas e pertencem agora ao novo género Sarocladium, outras espécies continuam incluídas no género Acremonium.
Os fungos do género Sarocladium, sendo raramente isolados em patologia humana, provocam sobretudo onicomicoses e, particularmente em imunodeprimidos, podem provocar infecções sistémicas.
Partilham com alguns fungos do género Fusarium a particularidade de poderem ser isolados nos meios habituais de hemocultura - as hemoculturas comuns são praticamente ineficazes no isolamento e identificação de fungos filamentosos ao contrário do que ocorre para os fungos leveduriformes.
As fiálides são hialinas, eretas e dão origem no seu topo a um grupo de conídios fazendo lembrar a cabeça de um alfinete. A agegação de várias hifas dão origem a estruturas que lembram cordas.
Os isolados de Fusarium podem ser confundidos com Acremonium, mas geralmente crescem mais rapidamente e apresentam colónias com uma aparência fofa característica.
Relevância em Patologia Humana dos fungos do género Acremonium/Sarocladium
- Infecções Oportunistas:
- Pacientes imunocomprometidos: Acremonium pode
causar infecções graves em indivíduos com sistemas imunológicos
comprometidos (ex.: transplantados, HIV/AIDS, quimioterapia). As
infecções podem ser locais ou sistémicas.
- Manifestações clínicas:
- Infecções cutâneas e subcutâneas:
Úlceras, nódulos ou celulite, muitas vezes associados a trauma cutâneo
(ex.: ferimentos com materiais contaminados).
- Pneumonia e doença pulmonar: Por inalação
de conídios.
- Endocardite fúngica: Em válvulas
cardíacas, especialmente em utilizadores de drogas intravenosas.
- Meningite: Rara, mas relatada em casos de
disseminação hematogénica.
- Queratite: Associada
ao uso de lentes de contato contaminadas.
- Micoses Crónicas:
- Algumas espécies de Acremonium estão
ligadas a doenças como micoses escleróticas ou micetomas (infecções
subagudas ou crónicas de tecidos profundos), embora isso seja incomum.
- Produção de Toxinas:
- Alguns isolados podem produzir mico
toxinas (ex.: aflatoxinas) que, embora mais
associadas a contaminação de alimentos, podem ter impacto indireto na
saúde humana.
Transmissão
- Via de entrada:
- Inalação de conídios (ar).
- Trauma cutâneo (ex.: espinhos, objetos
contaminados).
- Contaminação
de dispositivos médicos (ex.: cateteres, lentes
de contato).
- Transmissão
iatrogénica em ambientes
hospitalares.
Diagnóstico
- Exame micológico:
- Cultura em meio Sabouraud com cloranfenicol
(crescimento em 3–5 dias).
- Macroscopia: colónia branca que com a idade pode tornar-se cinzenta, rosa, rosa ou laranja
- Microscopia: hifas septadas, hialinas, com
conídios mono ou bicelulares (característica do género).
Tratamento
- Antifúngicos:
- Amfotericina B (opção para infecções
graves).
- Azois (ex.: voriconazol, posaconazol)
– mais eficazes in vitro.
- Cirurgia: Para infecções locais avançadas ou
abscessos.
- Desafios: Muitas espécies mostram
resistência a antifúngicos comuns, e a resposta ao tratamento pode ser
lenta.
Considerações Finais
- Acremonium é um agente patogénico emergente,
especialmente em centros hospitalares, devido à sua ubiquidade e
resistência a desinfetantes.
- O diagnóstico precoce é crítico, pois as infecções
podem ser agressivas em pacientes vulneráveis.
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| Cultura com 10 dias de incubação. |
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| Reverso da colónia |
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| Fiálide. |
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| Aglomerações de hifas lembrando cordas, aspecto que distingue estes fungos dos Fusarium onde não ocorrem. |
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| Aglomerações de hifas lembrando corda |