blog sobre micologia médica

Patologia Clínica CHUC Coimbra Portugal

Fusarium dimerum keratitis

Artigo publicado: Fusarium dimerum - um caso de queratite.
Artigo publicado: Rinosinusite induzida por Schizophyllum radiatum

Artigo publicado: Chronic invasive rhinosinusitis by Conidiobolus coronatus, an emerging microorganism

Artigo publicado: Antifungals: From Pharmacokinetics to Clinical Practice

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

AUREOBASIDIUM PULLULANS

O Aureobasidium pullulans é um fungo filamentoso dematiáceo. É um fungo saprófita com distribuição universal. No corpo humano pode ser isolado na pele e em unhas, está descrito como responsável de phaehifomicoses (infecções fungicas causadas por fungos dematiáceos) da pele e pulmão; queratites; e, peritonites. Eventualmente poderá ocorrer sepsis e infecção generalizada.

O A. pullulans poderá ser, também, isolado como contaminante da amostra.

Esta estirpe foi isolada nas secreções da árvore respiratória de um paciente, a informação clínica fornecida ao laboratório era "micronodulação pulmonar"

As colónias são lisas, pastosas, de cor clara (branca-rosada) e coincidindo com a formação de artroconídios aparecem áreas escuras/pretas. O crescimento é rápido.
Na fase inicial pode ser confundida com colónias de fungos leveduriformes.

A observação microscópica revela a presença de hifas septadas hialinas e conídios, também hialinos, de forma e dimensão variáveis. Com o tempo vão aparecendo algumas hifas escuras constituídas por artroconídios. Os conidídios aparecem de modo síncrono (vários ao mesmo tempo) de um ponto comum na hifa (sobretudo, mas não em exclusivo, das hifas hialinas). Os conídios podem continuar a multiplicar-se por gemulação.


Colónia com 7 dias de incubação

Colónia com 7 dias de incubação

Colónia com 7 dias de incubação

Colónia com 10 dias de incubação. A colónia adquire zonas escuras devido à produção de artroconideos.

Colónia com 10 dias de incubação

Colónia com 10 dias de incubação

Colónia com 10 dias de incubação

Colónia com 10 dias de incubação

Reverso da colónia.

Colónia com 12 dias de incubação

Colónia com 12 dias de incubação

Colónia com 12 dias de incubação

Colónia com 12 dias de incubação

Colónia com 12 dias de incubação

Pormenor de uma placa com várias colónias com 12 dias de incubação evidenciando a textura variada que a colónia pode adquirir

Pormenor de uma placa com várias colónias com 12 dias de incubação evidenciando a textura variada que a colónia pode adquirir

Pormenor de uma placa com várias colónias com 12 dias de incubação evidenciando a textura variada que a colónia pode adquirir

Pormenor de uma placa com várias colónias com 12 dias de incubação evidenciando a textura variada que a colónia pode adquirir
Zona com predomínio de hifas septadas hialinas.

Zona com predomínio de hifas septadas escuras  (artroconídios)





Blastoconideos hialinos de forma a e tamanho variável.


Hifas hialinas com produção síncrona de conídios.






quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

KERION POR TRICHOPHYTON MENTAGROPHYTES



Kerion é uma reacção inflamatória desencadeada pela infecção do foliculo piloso do couro cabeludo por um fungo filamentoso do grupo dos dermatófitos. Quando esta situação ocorre com os folículos pilosos da barba costuma designar-se por sicose. Poderá haver, ou não, infecção bacteriana concomitante.

O kerion caracteriza-se por uma placa inflamatória, bem delimitada e dolorosa, com pústulas e abcessos com tendência supurativa de forma a promover a expulsão dos pelos parasitados, pode dar origem a zonas cicatriciais com alopécia definitiva.

O kerion pode ser responsável por febre e formação de tumefação ganglionar local.

O Trichophyton mentagrophites é o fungo mais frequentemente envolvido.

A terapêutica tópica não é adequada sendo necessária a administração de antifungicos por via sistémica.

Colónias com 9 dias de incubação

Colónia com 2 dias de incubação









terça-feira, 22 de maio de 2018

MUCOR CIRCINELLOIDES

O Mucor circinelloides faz parte do grupo dos zigomicetes.

É um fungo de crescimento rápido apresentando hifas, coenociticas, largas ou em fita, escassamente septadas. (coenocitica significa célula multinucleada)

Esta estirpe foi isolada em secreções bronquicas de um paciente com bronquiectasias e foi reportada como fungo contaminante não patogénico.

A identificação foi feita, como é regra para os zigomicetes, com base na morfologia, cor e arranjo relativo no micélio do sporangioforo; e, também nas características macroscópicas da colónia.

São raros os casos existentes na literatura médica em que este fungo desempenha um papel determinante no processo patogénico em humanos. Estão descritas infecções em veterinária.

O género Mucor inclui várias espécies todas elas com pouco poder patogénico em humanos, no entanto a espécie circinilloides e a espécie hiemalis tem casos descritos na literatura médica. Recenteemente, está a tornar-se uma das infecções por fungos mucoráceos mais comuns no Reino Unido.

Esta é uma das poucas espécies que circula na corrente sanguínea devido à formação de oídios que são produzidos in vivo e in vitro e representam propágulos infecciosos viáveis que podem causar infeção em órgãos remotos

Esta estirpe foi cultivada em Sabouraud com cloranfenicol e gentamicina a 30 graus Celsius.

A análise macroscópica da colónia revela um crescimento rápido ocupando a totalidade da placa em  menos de 10 dias, a cor é cinzenta/acastanhada e o reverso e branco acinzentado, a textura é lanosa.

A análise microscópica revela hifas, largas em fita, escassamente septadas. Os esporangioforos são hialinos, ramificados e apresentam uma muito típica curvatura da haste. A sporangia é acastanhada com columela pouco ou nada evidente. Os esporangiosporos são elípticos com parede lisa.

Colónia com 7 dias de incubação.



Reverso da colónia.

A curvatura da haste do sporangioforo é típica desta espécie.






É possível observar-se a columela no interior do sporangio.