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Patologia Clínica CHUC Coimbra Portugal

Fusarium dimerum keratitis

Artigo publicado: Fusarium dimerum - um caso de queratite.
Artigo publicado: Rinosinusite induzida por Schizophyllum radiatum

Artigo publicado: Chronic invasive rhinosinusitis by Conidiobolus coronatus, an emerging microorganism

Artigo publicado: Antifungals: From Pharmacokinetics to Clinical Practice

FUNGOS PRIORITÁRIOS PARA A OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu a primeira Lista de Fungos Prioritários , classificando 19 fungos em três categorias de importância clínica: Prioridade Crítica, Prioridade Alta e Prioridade Média. Grupos de Prioridade Clínica

1. Grupo de Prioridade Crítica

Este grupo inclui os agentes patogénicos que representam a maior ameaça à saúde pública devido ao seu impacto clínico e desafios de tratamento.

  • Cryptococcus neoformans: Frequentemente associado a meningite em pacientes com VIH/SIDA, com taxas de mortalidade muito elevadas.
  • Candida auris: Uma levedura com elevado potencial de surtos hospitalares e frequentemente multirresistente a antifúngicos.
  • Aspergillus fumigatus: Um fungo filamentoso ambiental ubíquo que causa aspergilose invasiva, com uma preocupação crescente devido à resistência aos azóis.
  • Candida albicans: A causa mais comum de candidíase invasiva globalmente, associada a uma mortalidade significativa em pacientes imunocomprometidos.

2. Grupo de Prioridade Alta

Estes fungos têm um impacto significativo na saúde e apresentam desafios consideráveis no diagnóstico e tratamento.

  • Nakaseomyces glabrata (Candida glabrata).
  • Histoplasma spp..
  • Agentes causadores de eumicetoma.
  • Mucorales (causadores de mucormicose).
  • Fusarium spp..

Clínica: doença invasiva no sistema respiratório e nos olhos (queratite), mas tem uma elevada capacidade de se disseminar pelo sangue (fungémia) para outros órgãos, incluindo o sistema nervoso central.

Taxas de Letalidade: A mortalidade por fusariose invasiva é muito elevada, variando geralmente entre 43% e 67%. Em pacientes com imunossupressão grave e prolongada, a taxa de mortalidade pode atingir 80% a 100%.

  • Candida tropicalis.
  • Candida parapsilosis.

3. Grupo de Prioridade Média

Patógenos neste grupo são importantes, mas frequentemente têm uma incidência menor ou opções de tratamento mais estabelecidas, embora a resistência continue a ser uma preocupação em alguns casos.

  • Scedosporium spp..

Scedosporiose Invasiva: Este grupo de fungos causa infeções oportunistas graves, afetando o sistema respiratório, sangue, sistema nervoso central e outros órgãos (queratites)

Alta Letalidade: As taxas de mortalidade reportadas são muito elevadas, situando-se entre 42% e 46% tanto em adultos como em crianças.

Novos antifúngicos: olorofim e fosfamanogepix

 

  • Lomentospora prolificans.

Clínica: O fungo pode causar infeções no sistema respiratório, sangue (fungaemia) e sistema nervoso central, além de infeções disseminadas que são geralmente fatais

Pan-resistência: é considerado um dos fungos mais difíceis de tratar na medicina moderna: Todos os antifúngicos atualmente licenciados carecem de atividade in vitro contra este fungo.

 

  • Coccidioides spp..

Endémico nas Américas (particularmente no sudoeste dos EUA, México, América Central e do Sul)

  • Pichia kudriavzeveii (Candida krusei).

Espectro de Doença: Pode causar infeções nas mucosas (candidíase orofaríngea, esofágica, vulvovaginal e cutânea), mas a sua maior relevância reside na capacidade de causar candidíase invasiva, uma infeção nosocomial grave

Alta Letalidade: A taxa de mortalidade em adultos com candidíase invasiva por este fungo é muito elevada, variando entre 44% e 67%

Resistência Intrínseca: O P. kudriavzeveii é naturalmente resistente ao fluconazol. Sensível ao voriconazol

  • Cryptococcus gattii.
  • Talaromyces marneffei.

Distribuição Geográfica: É endémico no Sudeste Asiático, sul da China, Índia e Indonésia

Populações de Risco: Afeta predominantemente indivíduos com defeitos na imunidade celular, sendo uma das infeções oportunistas mais comuns e temidas em pessoas que vivem com VIH/SIDA

Alta Letalidade: A taxa de mortalidade em adultos com VIH varia entre 12% e 21%

  • Pneumocystis jirovecii.

Clínica: pneumonia, uma condição grave e potencialmente fatal, transmissão interhumana

Mortalidade: A taxa de letalidade é substancial, mas altamente variável, podendo chegar a 100% em alguns grupos sem tratamento

Terapia de Primeira Linha: O tratamento padrão e a profilaxia são realizados com cotrimoxazol (trimetoprim-sulfametoxazol), que é altamente eficaz

  • Paracoccidioides spp..

Restrito à América Central e do Sul (do México à Argentina)

Critérios de Classificação

A importância clínica e a atribuição a cada categoria basearam-se em dez critérios principais:

  1. Mortalidade: Taxa de letalidade média.
  2. Incidência anual: Número de novos casos por milhão de habitantes.
  3. Distribuição global: Extensão geográfica da espécie.
  4. Tendência nos últimos 10 anos: Evidência de alteração nos padrões de incidência.
  5. Cuidados hospitalares: Duração média do internamento.
  6. Complicações e sequelas: Proporção de doentes com complicações a longo prazo.
  7. Resistência antifúngica: Nível de resistência adquirida ou intrínseca.
  8. Previsibilidade: Disponibilidade de medidas preventivas eficazes.
  9. Acesso a testes de diagnóstico: Disponibilidade de diagnósticos laboratoriais.
  10. Tratamentos baseados em evidência: Acessibilidade e eficácia das opções terapêuticas.

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