blog sobre micologia médica

Patologia Clínica CHUC Coimbra Portugal

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sexta-feira, 29 de maio de 2026

TRICHOSPORON INKIN

 


O género Trichosporon foi recentemente redefinido taxonomicamente, mas o T. inkin permanece como um dos principais isolados clínicos. É classificado como uma levedura basidiomiceta, caracterizada pela produção de hifas hialinas septadas que se fragmentam em artroconidios.

1. Fisiopatologia em micologia médica

O T. inkin é reconhecido principalmente como o agente etiológico da piedra branca, afetando predominantemente os pelos púbicos. Clinicamente, manifesta-se pela formação de nódulos macios ao longo da haste do pelo.

  • Colonização e Oportunismo: Embora faça parte da microbiota normal da pele humana em proporções menores, o T. inkin atua como um patógeno oportunista.
  • Infeções Disseminadas: Em pacientes imunossuprimidos (com leucemia, transplantes de órgãos, mieloma múltiplo ou SIDA), pode causar infeção disseminada, com lesões em órgãos como fígado, baço e pulmões.
  • Resistência Intrínseca: É fundamental notar que as espécies de Trichosporon, incluindo o T. inkin, apresentam resistência intrínseca às equinocandinas.

2. Aspeto Macroscópico das Colónias

A morfologia macroscópica é um elemento chave para a identificação presuntiva em laboratório:

  • Crescimento e Textura: As colónias são de crescimento restrito e apresentam uma cor branca a creme. A superfície é finamente cerebriforme (com aspeto de circunvoluções cerebrais) e possui uma cobertura granular.
  • Topografia: Não apresenta uma zona marginal definida.
  • Termotolerância: A espécie demonstra capacidade de crescimento a 37°C.

3. Detalhes Morfológicos em Microscopia Ótica

A análise microscópica revela estruturas diagnósticas essenciais:

  • Artroconídios: Observam-se hifas hialinas septadas que se fragmentam em artroconídios longos e cilíndricosCélulas leveduriformes ovaladas alongadas (3-6 x 6-15 µm), que produzem pseudohifas verdadeiras (constrição nas septa) e artroconídios em cadeias retas ou ligeiramente curvas (não em cachos como em Candida). 
  • Ausência de outras estruturas: Diferente de outras espécies, no T. inkin não se observam gémulas  (blastoconídios) ou conídios laterais.

4. Identificação Bioquímica e Molecular

Para a confirmação definitiva  deve-se considerar:

  • Perfil de assimilação: O T. inkin assimila omio-inositol, mas não a melibiose. É também urease-positivo.
  • Tolerância à cicloheximida: Apresenta tolerância a 0,01% de cicloheximida.
  • Métodos avançados: MALDI-TOF MS ou sequenciação das regiões ITS e D1/D2 para uma identificação precisa.

Colónia com 30 dias de incubação. Semeada por inoculação com ansa de platina.

Colónia com 30 dias de incubação. Semeada por inoculação com ansa de platina.


Reverso da colónia.

Colónia com 8 dias de incubação, semeada com ansa descartável de plástico.


Aspecto por observação com microscopia de 100x


Aspecto por observação com microscopia de 400x












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