blog sobre micologia médica

Patologia Clínica CHUC Coimbra Portugal

Fusarium dimerum keratitis

Artigo publicado: Fusarium dimerum - um caso de queratite.
Artigo publicado: Rinosinusite induzida por Schizophyllum radiatum

Artigo publicado: Chronic invasive rhinosinusitis by Conidiobolus coronatus, an emerging microorganism

Artigo publicado: Antifungals: From Pharmacokinetics to Clinical Practice

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

SCEDOSPORIUM

SCEDOSPORIUM

Recentemente, foi possível desdobrar, através de análise molecular, a espécie S. apiospermum em quatro espécies distintas: S. aurantiacum, S. boydii, S. apiospermum e S. dehoogii. A identificação à espécie apenas pela observação macroscópica e microscópica do fungo é impossível, apenas a análise por biologia molecular é exequível.
São responsáveis, sobretudo, por micetomas, infeções do globo ocular, ouvido e sistema nervoso central. 
Na fibrose quística ocupa o segundo lugar depois do Aspergillus, entre  os fungos associados à colonização crónica das vias aéreas.


Devido ao seu crescimento lento, mesmo relativamente aos outros fungos filamentosos, é difícil o isolamento em cultura devido à competição pelos nutrientes. Este facto, levou ao desenvolvimento de um meio semi-seletivo: o scedo-select III (sce-sel). A aplicação prática deste meio ocorre. em estudos do meio ambiente 

As manifestações clínicas vão desde a infeção local, colonização pulmonar até doença invasiva, na qual as taxas de mortalidade podem ser superiores a 80%. Estas taxas levadas são devido ao estado clínico dos pacientes, às dificuldades de diagnóstico, e à resistência antifúngica intrínseca destes fungos.

Estão descritas resistências do Scedosporium a uma vasta gama de antifúngicos, incluindo os polienos (anfotericina B e nistatina) e azóis (fluconazol, itraconazol, e isavuconazol) e uma susceptibilidade reduzida às equinocandinas (caspofungina e anidulafungina)

Para o tratamento de infeções por Scedosporium as diretrizes europeias recomendam o voriconazol como tratamento de primeira linha juntamente com o desbridamento cirúrgico quando possível. Embora tenham sido observados resultados favoráveis na sequência de tais recomendações, o resultado continua pobre, com taxas de mortalidade de >65% e quase 100% quando ocorre a afetação ou disseminação do SNC.

As soluções de identificação MALDI-TOF/MS atualmente disponíveis no mercado são inadequadas para Scedosporium, será necessário o desenvolvimento de uma base de dados mais robusta. A criação e disponibilização destas bases de dados é um passo necessário porque em linha de investigação já se pode afirmar que a espectrometria de massa (MALDI-TOF/MS) se tornou disponível para a primeira linha identificação. É mais económica e a sua a precisão na identificação é comparável à da sequenciação do ADN.

Em 48 horas após a repicagem em meio de Sabouraud pode já ser possível fazer a identificação por análise microscópica da colónia.

Esta estirpe foi responsável por um abcesso da córnea, que não obstante o tratamento antifungico local e sistémico bem com sucessivos transplantes da córnea, evoluiu para endolftalmite com perda da acuidade visual desse olho.. (mais recentemente isolámos outra estirpe em cultura de LCR)


Colónia com 6 dias de incubação.

Colónia com 9 dias de incubação.

Reverso de colónia com 9 dias de incubação.

Colónia com 14 dias de incubação.


Reverso de colónia com 14 dias de incubação.



Observam-se numerosos conídios unicelulares  clavados a ovóides arredondados com bases truncadas.

Os conídeos são produzidas individualmente ou em pequenos grupos, em conidióforos simples ou ramificados conidióforos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

PURPUREOCILUM LILACINUM


Interesse em Micologia Médica:

  • Purpureocillium lilacinum (anteriormente conhecido como Paecilomyces lilacinus) é um fungo filamentoso, a sua importância em micologia médica resulta de:
    1. Patogenicidade: Embora não seja um patógeno primário, P. lilacinum pode causar infecções oportunistas em indivíduos imunocomprometidos, incluindo:
      • Micoses cutâneas e subcutâneas: Lesões localizadas que podem se disseminar em casos graves.
      • Infecções oculares: Queratite, endoftalmite, e outras manifestações.
      • Infecções sistêmicas: Raras, mas potencialmente fatais, especialmente em pacientes com profunda imunossupressão.
    2. Resistência Antifúngica: Relatos de resistência a antifúngicos comuns, como a anfotericina B e os azólicos, tornam o tratamento desafiador.  


  • Cultura:

    • Meio de Cultura: Sabouraud com cloranfenicol e gentamicina
    • Condições de Incubação: 25-30°C, por 7-14 dias.

  • Morfologia da Colónia:

    • Tamanho e Forma: Colónias de 3-6 cm de diâmetro, circulares, com bordos regulares ou ligeiramente irregulares.
    • Superfície:
      • Centro: Planalto, com uma coloração lilás-esverdeada a violeta, devido à produção de pigmentos.
      • Periferia: Lisa, com uma coloração branca ou creme, que pode exibir uma borda de crescimento mais densa.
    • Textura e Altura:
      • Textura: Macia no centro, tornando-se mais aérea e felpuda na periferia.
      • Altura: Colónias de baixa a moderada altura, cerca de 2-5 mm.

  • Características Microscópicas do micélio:

    • Hifas:
      • Morfologia: Hifas hialinas, septadas, ramificadas.
      • Parede Celular: Delgada.
    • Estruturas Reprodutivas:
      • Fiálides: 
        • delicadas, dispostas como nos Penicillium mas com um colo mais alongado
      • Conídios:
        • Forma: Elongados, cilíndricos, com extremidades arredondadas.
        • Distribuição: Solitários, em cadeias ou em vesículas conidiogénicas.

 

Identificação: A identificação definitiva pode requerer técnicas de biologia molecular, dada a similaridade morfológica com outros fungos filamentosos.




Colónia com 4 dias de incubação.



Reverso de colónia com 4 dias de incubação. 

Colónia com 6 dias de incubação.


Reverso de colónia com 11 dias de incubação.


Colónia com 11 dias de incubação.


Reverso de colónia com 11 dias de incubação.

TRICHOPHYTON RUBRUM - COLÓNIA COM 13 DIAS DE INCUBAÇAÕ

 

TRICHOPHYTON RUBRUM

Colónia com 13 dias de incubação.







quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

TRICHOPHYTON INTERDIGITALE


O  complexo Trichophyton mentagrophytes inclui cinco espécies - T. mentagrophytes, T. interdigitale, T. erinacei, T quinckeanum e T. benhamie, bem como nove genótipos diferentes de T. mentagrophytes / T. interdigitale - que são morfologicamente semelhantes.

Os membros do complexo de espécies Trichophyton mentagrophytes são agentes comuns da dermatofitose humana e animal. Nos seres humanos, causam tinea pedis, tinea unguium e também tinea corporis e tinea capitis altamente inflamatórias. A identificação de dermatófitos deste complexo com base na aparência macroscópica, juntamente com o exame microscópico das culturas, permanece muitas vezes difícil ou incerta devido a variações fenotípicas de um isolado para outro em termos de taxa de crescimento do micélio, cor (branca ou bege) e aparência (pulverulenta ou felpuda) da colónia, quantidade de microconídios, presença ou ausência de filamentos em espiral. Na rotina, os isolados com colónias felpudas/não pulverulentas, antropofílicos, obtidos a partir de escamas de pele do pé são geralmente designados por T. interdigitale 

Recentemente através de estudos moleculares com base na sequenciação da região ITS foi possível identificar vários genotipos diferentes  entre os fungos incluídos no complexo Trichophyton mentagrophytes/interdigitale.  
Através de estudos moleculares é licito considerar o T. interdigitale como uma espécie humanizada derivada do parente sexual Arthroderma vanbreuseghemii, ou seja uma espécie que perdeu a sua capacidade de formar cleistotecias férteis. 
Pode assumir-se que o nome T. interdigitale deve ser mantido no complexo T. mentagrophytes para isolados antropofílicos de tinea pedis e tinea unguium não inflamatórias.

Resumindo:
    mentagrophytes: zoofílico; tinha corporis, tinha do couro cabeludo (com eventual kerion)
    interdigitale: antropofílico; tinha pedis, tinha corporis e tinha unguis (tábua superficial)

Um alerta:

Um agente patogénico emergente que causa dermatofitoses recalcitrantes na Índia e no mundo.
O T. indotineae, é um destes genótipos (genótipo VIII),  causa dermatofitose inflamatória e pruriginosa, frequentemente disseminada, que afecta as virilhas, a região glútea, o tronco e a face. Só pode ser identificado por sequenciação pelo que é frequentemente relatado como T. mentagrophytes ou T. interdigitale. A sua importância advém pelo facto de ser resistente aos antifungicos tópicos e à terbinafina oral e pelo fato de ser uma micose que começa a aparecer no mundo ocidental em pacientes vindo do Sul da Ásia. O itraconazol resolve a infeção. O uso da técnica malditof é incapaz de distinguir estas espécies.
A mudança na incidência epidemiológica bastante súbita de T. rubrum para T. indotineae, que se implantou em países do subcontinente indiano, especialmente na Índia, e em países vizinhos como os Emirados Árabes Unidos, Omã, Irão, entre outros, e que agora se está a propagar à Europa, não é apenas uma doença incómoda, mas está a tornar-se num problema de saúde pública devido ao número de indivíduos afectados e ao sofrimento que causa.

As imagens que se seguem ilustram um T. interdigitale.

Colónia com 8 dias de incubação.

Colónia com 8 dias de incubação.

Colónia com 8 dias de incubação.

Colónia com 8 dias de incubação.

Reverso de colónia com 8 dias de incubação.

Colónia com 8 dias de incubação (outra repicagem).

Colónia com 8 dias de incubação (outra repicagem).

Reverso

Colónia com 16 dias de incubação.

Colónia com 16 dias de incubação.

Colónia com 16 dias de incubação.

Reverso de colónia com 16 dias de incubação.