blog sobre micologia médica

Patologia Clínica CHUC Coimbra Portugal

Fusarium dimerum keratitis

Artigo publicado: Fusarium dimerum - um caso de queratite.
Artigo publicado: Rinosinusite induzida por Schizophyllum radiatum

Artigo publicado: Chronic invasive rhinosinusitis by Conidiobolus coronatus, an emerging microorganism

Artigo publicado: Antifungals: From Pharmacokinetics to Clinical Practice

quarta-feira, 29 de junho de 2011

SCEDOSPORIUM APIOSPERMUM (species complexo)

Scedosporium é um fungo filamentoso septado hialino que pode ser patogénico para o ser humano. Tem uma distribuição universal.
Recentemente, foi possível desdobrar, através de análise molecular, a espécie S. apiospermum em quatro espécies distintas: S. aurantiacum, S. boydii, S. apiospermum e S. dehoogii. Existe, ainda, o Scedosporium prolificans (actualmente reconhecido como Lomentospora prolificans).
O S. aurantiacum é referido como resistente à anfotericina enquanto que as outras espécies apresentam esta resistência em 50% dos casos.
Pseudallescheria boydii é a denominação da forma sexual (telemorfa) do S. boydii, não se conhece a forma sexuada do S. prolificans.
Patogenicidade:
afeta sobretudo doentes imunocomprometidos (doentes hemato-oncológicos, transplantados ou com SIDA). É o agente responsável pelo micetoma de grão branco. Está relacionada com infecções cutâneas, sinusites, pneumonias, abcessos pulmonares, queratites, endocardites, osteomielites, infecções disseminadas e abcessos cerebrais.
Na nossa casuística foi possível isolá-la em casos de pneumonias e em queratites. 



As colónias são de crescimento rápido. A textura varia de lanosa a algodonosa.
A cor da colónia é inicialmente branca tornando-se acinzentada (cor de rato) com o tempo.


As estirpes isoladas em amostras clínicas raramente apresentam estruturas sexuadas.
Microscopicamente observam hifas hialinas septadas, conidioforo e conideos unicelulares ovais.



Os conidióforos podem ser curtos ou compridos, simples ou ramificados.
Os conideos são truncadas na sua base. São formados no conidioforo um a um.
Após a libertação do conidióforo adquirem parede grossa, tornam-se mais volumosos e acastanhados.
Cleistotechia (ascocarpos) é raramente observada

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OUTRA ESTIRPE







PAECILOMICES VARIOTII

Paecilomyces são fungos filamentosos septados ubiquitários. Encontram-se frequentemente associados a patologia humana sobretudo P. lilacinus e P. variotii. As manifestações clinícas ocorrem principalmente em doentes imunocomprometidos. Estão descritos casos de peritonite, endoftalmite, sinusite, pielonefrite e lesões cutâneas .



As colónias são planas de crescimento rápido. A textura varia de pulverulenta a aveludada.
A côr da colónia varia de cor de areia a amarelo-acastanhado.

As colónias de Paecilomyces nunca são verdes ou verde-azuladas
(critério que ajuda a diferenciá-las das colónias de Penicillium)




Os conidióforos apresentam uma densa aglomeração de fiálides.
Pode haver clamidosporos.

É possível observar longas cadeias de conideos unicelulares ovoides ou fusiformes.
Estas cadeias tiveram a sua origem nas fiálides.

As fiálides são engurgitadas na sua base e possuem um "pescoço" estreito e esguio.
As fiálides ocorrem isoladas, aos pares ou em estruturas semelhantes às dos Penicillium.

MICROSPORUM CANIS

Microsporum canis é um fungo dermatófito. Os cães e gatos são os hospedeiros naturais. O fungo afecta sobretudo as áreas de pele expostas (mãos, membros e couro cabeludo) de crianças. As infecções do couro cabeludo podem ser refractárias ao tratamento com terbinafina sendo necessárias maiores doses e tratamento mais prolongado (interesse da correcta identificação do agente patogénico) .

A colonia, de crescimento rápido,é lisa, a cor é branca ou creme e a textura aparenta um expesso tapete algodonoso. A franja da colónia é amarela e tipicamente estrelada.


O reverso da colónia é quase sempre de cor amarelo-brilhante mas pode ser acastanhada. Podem ocorrer colónias sem pigmento.





M. canis produz abundante macroconidea multiseptada de parede grossa. Os micronideos são raros.

O nº de células varia de 5 a 15. A forma é a de um fuso com o botão na ponta.

Poderão ser necessárias sub-culturas para obter a produção de macroconideos.

ASPERGILLUS GLAUCUS

O Aspergillus glaucus é um fungo filamentoso hialino com hifas septadas .




As colónias inicialmente são de cor verde claro no centro com halo branco, mais tarde adquirem cor branca e em seguida amarela no centro (devido à produçao de cleistotequia) mantendo um halo verde. Esta cultura apresenta os diferentes estadios já que as colónias exteriores resultaram de uma manipulação prévia das colónias interiores (7 dias antes).




O reverso da colónia é amarelo pálido.
O aspergillus nidulans tem um reverso vermelho a púrpura (característica importante para diferenciar as duas espécies; o nidulans é também bi-seriado e a cleistotequia é muito mais escura e rodeada de Hulle cells).








As cabeças conidiogenas são radiadas
Os conidióforos apresentam as paredes lisas.
As vesiculas são globosas a sub-globosas, uni-seriadas.


A cleistotequia é amarela de paredes finas.